sábado, 1 de maio de 2010

Medo

É estranho falar sobre medo.

Eu nunca parei muito para pensar nas coisas em que tenho medo, sempre fui de viver a minha vida aproveitando o máximo, sem temer fatos, pessoas, morte, ou qualquer outra coisa corriqueiras de se temer.

Não falo sobre minhas fobias de insetos.. aquilo é apenas nojo da quitina.

Sempre fui um sujeito bem-humorado, sendo que poucas coisas realmente me afetam pra valer. Procuro desvencilhar das coisas ruins, e viver sedo feliz, curtindo os amigos e tudo o que esta vida tem de bom pra nos oferecer.

Para ser sincero, acredito que estou passando pela fase mais complicada de toda minha vida, apesar de estar conseguindo enfretar tudo isso muito bem, primeiramente pelo grande suporte que tenho recebido de pessoas que se mostram realmente minhas amigas,fato que percebemos principalmente em momentos difíceis. E segundo, por esse meu jeito divertido de ver as coisas, com fé de que tudo pode melhorar a qualquer instante, estou sempre relaxado e despreocupado.

Eu chegava a pensar que estava preparado para suportar muita coisa, que dificilmente algo me baquearia.

Não é segredo para ninguém que tenho uma irmã que possui grandes limitações físicas e mentais. Para resumir, é um bebê grande, extremamente frágil.

Ao receber uma ligação de que essa minha pequena irmã estava mal no hospital (no qual estou no momento ao lado dela), senti que essa era uma coisa que me atingitra. Eu sempre digo, que devido à extrema fragilidade de minha irmã, temos que estar sempre prontos para aguentar caso o pior chegue mais breve do que se imagine.

Eu que pensava não ter medo, confesso que ali, na pequena biblioteca de uma escola em que eu estava, assim que desliguei o telefon em meio à lágrimas, senti que sentia pela primeira vez, medo de verdade.

Agonia, pensar que talvez pudessa nao mais ver o sorriso mais puro existente nesse mundo, a energia emanada por aquela singela e peculiar figura, que resplandesce onde quer que esteja.

De que talvez, as noites em que eu a abraçava e lhe cantava no ouvido estivessem próximas do fim. E que as vezes em que ela dormia calmamente sobre mim ficariam apenas na memória e na saudade. E que nao mais chegaria em casa, e saberia que haveria, lá no fundo, alguém lhe esperando com um sorriso, um olhar discrto, ou mesmo, sem esperar, dormindo.

Tudo isso me deu medo.. real medo..

Agora estou aqui, ao lado dela, ela me parece bem.. bem melhor.. essa pequena guerreira.. é a minha prova de que anjos existem e estão entre nós.

É um bebê grande... extremamente frágil...
É um bebê grande... extremamente forte!!!

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